6 A ave misteriosa

(1)-(3) p47

O senhor Nobeyama é um astronauta.
Naquela noite, ele estava ajustando a câmera em direção à Terra a uma ­altitude de vinte mil quilômetros, que fica muito além do céu.
Uma intensa chuva de estrelas cadentes estava prevista para acontecer ­nesse dia.
A função do astronauta Nobeyama era filmar o acontecimento.

(1) No entanto, as estrelas cadentes não apareciam de jeito nenhum.
O astronauta Nobeyama começou a comer um lámen espacial para se livrar do sono e, nesse exato momento, uma faixa de luz brilhante passou bem perto da espaçonave.
O astronauta Nobeyama largou o recipiente de lámen e pressionou ­apressadamente o interruptor da câmera de vídeo.
A luz se deslocou velozmente para o infinito da Terra que estava coberta de fumaça negra.

(2) Achando que as chuvas de estrelas cadentes continuariam, ele ficou ­atento, mas não apareceu mais nada e, novamente, os arredores foram ­dominados pela mais profunda escuridão.
- Ué... só isso!
Decepcionado, o astronauta Nobeyama pegou o lámen que estava flutuando dentro da espaçonave.
- Seja como for... como era enorme aquela estrela cadente!

(3) Pi, pi, pi, pi…
O monitor soou e começou a reproduzir a imagem da estrela cadente ­tirada agora a pouco.
O astronauta Nobeyama estava tomando os restos da sopa de lámen com canudo. Quando viu a imagem reproduzida, largou ­novamente o recipiente de lámen.
Ele pensava que havia capturado a imagem de uma ­estrela cadente, no ­entanto, era uma figura parecida com um pássaro que ­nunca tinha visto antes.

(4)-(6) p49

(4) Era uma ave dourada.
- Que absurdo! Não há como... é inacreditável! Um pássaro voando no ­espaço cósmico...?
Atordoado, o astronauta Nobeyama abanou a cabeça e, imediatamente, ­enviou essa imagem à base terrestre.
- Esta é a imagem da estrela cadente que foi em direção à Terra à Hora ­Média de Greenwich-0430. Por favor, verifiquem a identidade da criatura dentro da imagem.

(5) Quando o astronauta Nobeyama finalmente conseguiu terminar de comer o seu lámen, chegou a resposta da Terra.
― Não foi possível registrar essa estrela cadente daqui da Terra. ­Certamente, deve ter saído da órbita.
O astronauta Nobeyama ao perguntar:
- Então, como vocês julgam aquilo, dentro da luz, com a forma de um ­pássaro?
Recebeu uma resposta seca:
- Não tem nenhuma imagem!

(6) - Não posso acreditar...
O astronauta Nobeyama voltou a fita novamente e colocou a imagem da ­estrela cadente tirada agora há pouco.
Ele ficou assombrado e não acreditava no que estava vendo. A figura do ­pássaro, que estava lá dentro da imagem, ­havia sumido.
“Será que foi tudo fruto da minha imaginação? Não... mas... é, pode ter sido isso.”

(7)-(10) p51

(7) E nada da chuva de estrelas cadentes aparecer.
O astronauta Nobeyama começou a sentir um sono incontrolável.
- Vou descansar um pouco...
Por mais que ele precisasse da ajuda de alguém, isso era impossível, pois não havia mais ninguém na espaçonave além dele.
O astronauta Nobeyama colocou a câmera no automático e deitou-se na cama.

(8) Ele adormeceu sossegadamente.
Um astronauta precisa manobrar ­inúmeros aparelhos e isso é um trabalho muito cansativo.
O astronauta Nobeyama adormeceu, roncando como um trovão.

(9) Mas, nesse momento, havia sido enviada uma mensagem misteriosa para a espaçonave.
- Eu sou a pessoa que interceptou a transmissão da espaçonave. A imagem da estrela cadente que você enviou, era realmente a de um pássaro. ­Porém, esse pássaro não existe na Terra. Essa ave, que pertence à família dos ­pássaros sagrados é, sem sombra de dúvidas, o Makafushigi, que faz parte da espécie das narcejas chamada Makafushigi, na qual aparece no livro do naturalista Norasteldamas da Grécia, que foi escrito há duzentos anos antes de Cristo.

(10) - No livro, o Norasteldamas descreve da seguinte forma:
«Makafushigi, ao descer do céu, inúmeras ocorrências estranhas hão de acontecer na Terra.
Sendo que, quando esta ave partir, a humanidade ­perderá o amigo mais ­importante.
Saibam que isso é um castigo pelos ­humanos terem cuidado da Terra de forma deplorável.»
No final do e-mail, tinha também uma cópia da ilustração antiga de ­Makafushigi.”


(11)-(13) p53

(11) Sem saber disso, o astronauta Nobeyama dormia com a enorme boca aberta, babando e sonhando com as comidas que não eram possíveis comer no espaço, tais como o arroz com enguia grelhada, o sushi, o cozido oden e o arroz com chá verde acompanhado de salmão.
E, nesse exato momento, de acordo com a profecia de Norasteldamas, coisas inacreditáveis estavam acontecendo na Terra... bem longe do espaço.

(12) Naquela manhã, numa remota zona rural da Polônia, o professor Joseph Klausner do ensino fundamental, como de costume, assim que acordou, foi alimentar a tartaruga-do-ouvido-vermelho que vivia no aquário. Quando a viu, ele levou um susto tão grande que quase caiu para trás.
Quem diria! Tinha sobrancelhas na Maria, a tartaruga.
Enquanto o professor estava pasmado, uma barba espessa crescia ao ­redor dos lábios da Maria num abrir e fechar de olhos. Logo em seguida, ela ­começou um discurso:
- Caros senhores, levantem-se!!

(13)A seguir, quem percebeu as ocorrências sobrenaturais foi o ­bibliotecário Julio Cervantes, que criava um peixinho dourado e morava em Madri, na ­Espanha.
Como sempre, o senhor Julio, todo orgulhoso do seu peixinho dourado, ­disse:
- Bom dia!
Assim que ele cumprimentou o peixinho, deixou cair a sua dentadura.
Sem perceber, haviam surgidos mãos e pés cor-de-rosa no peixinho que era preto. Ele nadava de bruços dentro do aquário e... além disso... logo em ­seguida, começou a flutuar no ar e saiu voando para algum lugar pela janela aberta.

(14)-(16) p55

(14) O senhor Shankar, que se dedica à silvicultura na Índia, ao chegar no ­estábulo dos elefantes, que carregavam as palmeiras cortadas, gritou em ­híndi:
- Meu Deus! É inacreditável!
Ele viu as trombas e as caudas dos elefantes nas posições trocadas. Os ­elefantes bebiam água com as “caudas”, abanando as “trombas”.

(15) O senhor Chu, que era tratador de animais do zoológico da ­província ­chinesa de Sichuan, cuidava dos pandas.
Quando ele entrou na ­jaula, ­carregando as folhas de bambu como sempre, encontrou um animal ­completamente diferente.
O senhor Chu não sabia explicar de imediato o que estava diferente.
Mas, aos poucos, foi percebendo que as partes das cores brancas e pretas ­estavam inversas.

(16)Não era somente com os pandas.
O senhor Ivan Uronski, que trabalha como pesquisador de animais nos ­montes Urais da Rússia, foi atacado por uma fera jamais vista antes.
Ele trepou numa árvore e escapou da morte por um fio. Observando melhor a fera, pelo jeito, era um tigre. Porém, as cores das listras amarelas e pretas do tigre também estavam inversas.

(17)-(18) p57

(17) E por falar em tigre, algo muito estranho estava acontecendo com o leão também.
Praticamente ao mesmo tempo, no Parque Zoológico de Ngorongoro da ­África, subitamente, apareceu um animal estranho que tinha o corpo todo ­peludo.
Ele tentava atacar o antílope, mas como os pelos ficavam enrolados nas ­patas, não conseguia nem correr.
O zoologista Ngai Wakimari, após examinar o felino, descobriu que era um leão com o corpo todo coberto de jubas.

(18) No rio Amazonas do território brasileiro, que é localizado lá na América do Sul, aconteceu o seguinte:
Como de costume, o pescador Pedro Lopes ao colocar o barco na enseada, onde os crocodilos se reúnem, não encontrou nenhum deles por lá.
Achando estranho, olhou ao redor e viu uma cena inacreditável. Os ­crocodilos subiram na árvore ao mesmo tempo e começaram a cantar.

(19)Na Baía de Tóquio, situada no Japão, o mergulhador Kotaro Tanaka, que estava examinando a poluição marítima, deparou-se com uma cena incrível.
Das lamas espessas, os mariscos saltavam para fora um atrás do ­outro. ­
Moluscos, amêijoas, mexilhões... Os mariscos batiam as conchas ­completamente bagunçados. Depois de jogarem as lamas para cima, saíram voando para o alto-mar.
Todo esse espetáculo parecia como se estivesse vendo os vôos das ­borboletas.

(20) Nesse exato momento, todas as pessoas do mundo inteiro, que se ­encontravam no alto-mar, estavam impressionadas com o que viam.
As tartarugas marinhas, os peixes-lua, os tubarões, as baleias, as mantas, os leões-marinhos e as focas, ou melhor, todas as criaturas que vivem no mar, ­batiam as barbatanas e depois bailavam no céu.
Dentre eles, o mais arrogante era o minúsculo peixe-voador.

(21)-(24) p59

(21) Por outro lado, especialmente no deserto de Arizona, nos Estados ­Unidos, estava ocorrendo algo surpreendente.
O paleontólogo John Carpenter estava escavando os ossos dos dinossauros.
Quando viu os ossos espalhados ao redor das areias se levantarem, ­formando-se num dinossauro num abrir e fechar de olhos, ele desmaiou.

(22) - Vixi!
Após ter terminado de comer o arroz com chá verde acompanhado de ­salmão, dentro do sonho, o astronauta Nobeyama acordou.
Ele foi correndo olhar para fora da nave.
Nesse momento, o astronauta Nobeyama presenciou um cenário ­inacreditável.

(23) Era uma estonteante imagem de chuva de estrelas cadentes.
Além disso, ao invés de cair do espaço para a Terra, as estrelas cadentes ­seguiam em direção ao infinito do espaço, uma após a outra, partindo da ­Terra.
O astronauta Nobeyama ainda não tinha visto a mensagem misteriosa e nem sequer imaginava que aquelas estrelas cadentes representavam os “amigos mais importantes dos humanos”, “abandonando a Terra”.
As estrelas cadentes nada mais eram do que todas as criaturas da Terra, ­exceto os humanos.

(24)Logo depois que a chuva de estrelas cadentes se acalmaram, a ­Terra ficou sombria com cor de chumbo... e... em seguida... algo extraordinário ­aconteceu.
Começaram a nascer pernas, em ziguezague, na Terra.
Num instante, a Terra se transformaram em polvo com o seu estampa mapa, e logo em seguida, soltou tinta e voou para o além do universo.
Surpreendido, o astronauta Nobeyama correu atrás do polvo.
Na mensagem havia sido acrescentada as seguintes palavras:
- Quando perceber, será tarde demais. Norasteldamas.

Fim

奥付(おくづけ)

7 A ave misteriosa

Antologia de 7 Contos Infantis Japoneses
Livro Ilustrado Bilíngüe Japonês-Português 2ª edição

『日本(にほん)の童話(どうわ)』 全(ぜん)7話(わ) 第(だい)6話(わ) マカフシギ物語(ものがたり) (ポルトガル語(ご) 第(だい)2版(はん)) 準拠(じゅんきょ)

作(さく) 舟崎(ふなざき) 克彦(よしひこ)・三間(みま) 由紀子(ゆきこ)
絵(え) 舟崎(ふなざき) 克彦(よしひこ)
翻訳(ほんやく) 高野(たかの) ヴィルジーニア 聖子(せいこ)
朗読(ろうどく) Deisy KUNIYOSHI

制作(せいさく) NPO法人(ほうじん) 地球(ちきゅう)ことば村(むら)・世界(せかい)言語(げんご)博物(はくぶつ)館(かん)

2021.1.30